Sobre

As gaiolas são o lugar onde as certezas moram

Quando eu rompi com o cristianismo, não rompi porque Deus não atendeu as minhas preces, quem sou eu para brigar com uma divindade do tamanho de Deus, pois sabia que diante de seu tamanho eu não era nada. Eu simplesmente observei o espaço, vi que existe milhões de estrelas e milhões de galáxias, e depois voltei os meus olhos para Deus, olhei para o planeta e reparei no meu consciente que as pessoas brigam por nada, morrem por nada, e depois voltei meus olhos novamente para Deus, e pensei porque ele é tão magnífico, tão grandioso e decidiu apenas habitar as pessoas nesse pequeno e miserável planeta, depois pensei porque Deus deixavam os pobres morrerem de fome, doenças e calamidades, mas depois vi que sempre há respostas para todas as perguntas feitas com lógica, respostas vagas que qualquer um pode dizer, respostas ditas do nada para consolar os já conformados seres humanos, eu observei que esses argumentos não se encaixam com a realidade, e é tão simples, é só olhar para as plantas e os animais e perceber que sua existência não veio do nada, e a bíblia jamais explicou os dinossauros, percebi que Deus é aquilo que os poderosos usam para se manterem no poder, ou viverem do poder, Deus é aquilo que o homem comum quer se destacar entre os demais. Percebi que um trabalhador, ou uma pessoa comum do povo jamais se libertará dessas gaiolas que foram impostas a ele, o homem comum está imerso na violência, no sofrimento e na solidão, e procura uma fuga dessas espadas que o apunhala, o homem comum aprendeu que quando morrer podera reencontrar todos os entes queridos que se foram, o homem comum pode ser facilmente controlado, pois vive apenas para trabalhar, ter filhos e se divirtir nos finais de semana, o homem comum é vital para a sobrevivência dos homens poderosos.

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La felicità scorre attraverso le mani

Aqui estamos nós, em nossa luta incansável de descobrir a felicidade. Talvez eu nunca a encontre, como é natural encontrar um inseto no campo, pois, a felicidade não é um estado físico que se compra em uma mercearia do outro lado da rua, apesar que temos curtos relapsos de felicidade quando conseguimos um objeto desejado, mas tudo isso é passageiro, tal qual é verdade que estamos sempre a procura de um lançamento novo para chamarmos de nosso, para dizermos que o tivemos em vida. Diante disso, a vida passa, a vida passa e não percebemos que a estamos perdendo a procura de objetos materiais, esse texto está parecendo um pouco auto-ajuda eu confesso, mas confesso também que odeio auto-ajuda, pois é a literatura mais absurda que desiguala os homens dos animais, no sentido que o homem é um ser divino criado a imagem e semelhança do criador, e mesmo que tudo der errado nessa vida, há alguém que nos cuida e nos protege de todas as forças malignas aqui na terra. O homem em si, só se diferencia dos outros animais no modo que consegue racionalizar tudo a sua volta, mas em suma o homem é o mais perverso dos animais. E a felicidade? A felicidade é apenas um sentimento parecido com a água, pois quando tentamos segurá-la com as mãos, ela continua a escorregar pelos os dedos.

Foto: Alexander Khokhlov

Ruby Bridges

Quando o sol despontou e começou a brilhar na antiga cidade de Nova Orleans na Louisiana, Ruby Bridges também começou a caminhar com seus sapatos pretos e seu vestido branco escoltada por policiais federais para uma tradicional escola de brancos, que ela como outras crianças negras tiveram o direito assegurado pela Corte Suprema norte americana. Ruby talvez em sua mente não entendia todo aquele ódio, talvez o que a motivou foi a coragem e a força que vinha de sua mãe para enfrentar tudo sem desistir, sem ficar pelo caminho. E os xingamentos vieram de todos os lados, das mães que não queriam verem seus filhos brancos e saudáveis, com uma menina de pele escura, frazina e condenada por toda aquela sociedade, sociedade essa que sempre orou e agradeceu a deus na hora das refeições e antes de dormir, sociedade essa que não perdia um domingo no culto ou na missa, sociedade essa que trouxe a palavra de deus para suas leis, sociedade essa que nunca amou e nunca amará seu semelhante. Mas a Ruby não desistiu, a Ruby carregou no peito a mesma coragem da Rosa Parks e de Elizabeth Eckford, mas diferente um pouco das outras, a Ruby era apenas uma criança e contra ela vieram os gritos de macaca, bruxa, filha do diabo e outros do mais puro ódio disferido contra uma criança, saído da boca de cristãos que diziam amar a deus e ao país, assim a vida continua, pois entre a bíblia e a sociedade, existe muito ódio no coração das pessoas.

Foto: Ruby Bridges

Crônica do cidadão de bem

Eu hoje acordei feliz, pois vi que a corrupção havia finalmente acabado, a mídia estava feliz, pois a caçada finalmente havia terminado. Hoje não haverá mais corrupção, e hoje realmente vi que ninguém está acima da lei, nesse país a lei sempre foi forte. Eu hoje posso me orgulhar dos juízes e do poder judiciário, pois vi o quanto são imparciais, o quanto não se embriagam com os holofotes apontados para eles, hoje, todos cidadãos de bem pode se sentir um membro de um país desenvolvido, pois aqui ninguém joga lixo no chão, aqui ninguém sonega imposto, e aqui todos amam o indivíduo diferente. Eu hoje acordei feliz, pois sei que meus filhos não vão ler Karl Marx na escola, aliás eu nem sei quem é mesmo Karl Marx, apenas ouço difamarem e dizerem coisas horrendas sobre ele, então deve ser o diabo em pessoa, eu hoje estou feliz, pois sei que meu país não será igual a Cuba sem saúde e educação, aliás eu nem sem mesmo como é a política interna de Cuba, pois assisto tudo pela Globo e leio tudo pela Veja, acho que sou um cidadão bem informado. Hoje estou feliz, pois meu sonho de ter uma arma não será mais ameaçada pelos os vermelhos, eu vou poder atirar em qualquer um que ouse olhar estranho para mim, ou ameaçar minha propriedade adquirida com meu suor quando trabalhava na prefeitura, eu hoje vou poder matar qualquer vagabundo que eu ver pelas ruas da cidade, pois eu terei minha arma e nenhum comunista vai me impedir de ter, ah esqueci, hoje é domingo, tenho que ir ao culto adorar a deus, pois deus é bom o tempo todo, e tudo que tenho foi deus que me deu, mas agora eu só quero comemorar a vitória de nosso país não ser transformado em uma União Soviética, um desses países que existe na atualidade, pois acima de tudo eu sou inteligente, não sou acéfalo como um esquerdista.

Palavras do mundo

Eu procurei deus nas palavras e não o encontrei, então parei de procurá-lo nas palavras e então decidi procurá-lo nas pessoas, pois assim diziam que deus criou as pessoas a sua imagem e semelhança, fiquei assustado! pois vi que as pessoas o usam para justificar suas vontads, e vi que deus é uma metáfora, deus sempre foi uma metáfora, na minha opinião deus é a explicação mais inteligente para justificar o medo, o medo do desconhecido, o medo de nunca mais revermos nossos amigos e nossos familiares. É confortável saber que quem amamos em vida esteja nos aguardando ao lado de deus, e que diante dessa vida triste e pesada, deus está conosco e nunca nos abandonou, mas na realidade deus é isso, apenas isso, um conforto para nossos medos, um conforto para nossas mais tristes necessidades de amor.

Breakout: A noite dos pisicopatas

Quando faltou energia em nossa cidade, todas as pessoas ficaram em alerta, temiam o vizinho ao lado, temiam a todos que viam e caminhavam a sua frente, o medo não vinha apenas do bandido profissional mas também do chamado cidadão de bem. Na noite dos psicopatas parecia que tínhamos regredido aos tempos das cavernas, parecia que não estávamos mais na era digital, nessa noite até a depressão aparecia, em razão de nossas dependências tecnológicas e também da descoberta de quanto somos solitários. As mulheres temiam serem estupradas, e temiam também a segurança dos maridos e dos namorados. As crianças apenas olhavam para o céu noturno como nunca as viam visto antes, sem poluição luminosa, sem o vício desencadeado pelos celulares. Eu, também me preocupava com os meus, e também fiquei preocupado com toda a coletividade carente de segurança, nessa hora, muitos se aproveitavam para se apoderar da propriedade alheia, outros para expor sua libido nas ruas da cidade, e outros para colocar em prática a tão adiada vingança, na noite dos psicopatas nem a polícia dava conta de tanta ocorrência, até a elite ficou preocupada, pois nessa hora todos tem medo, nessa hora todos precisam do braço do Estado. Meu pai esperava notícia dos filhos, e minha mãe saía para ver a rua que se movimentava aos passos noturnos, ainda bem que nossa rua possui um traço de camaradagem imposta pelo o respeito, nessa hora, quando falta a polícia, todos se policiam tentando evitar a ação dos bandidos e dos psicopatas, o medo que se instaura vai além de nossas ruas, na noite dos psicopatas acho que os nossos sentimentos humanos desaparecem. O governo não se precaveu para evitar esse transtorno, o governo é o principal culpado desse caos, na noite dos psicopatas as taxas de homicídios e de criminalidade batem recordes, na noite dos psicopatas esperamos apenas que a energia volte e restaure a paz social que ela desestabilizou.

Blenda

Quando Blenda resolveu partir de casa, seus pais e o marido não podiam mais segurá-la. Queria sair pelo mundo, talvez ir para a Escócia, Holanda ou Dinamarca, queria sair de casa e fugir da solidão que vivia. Blenda conheceu o marido aos dezesseis anos de idade, no começo de tudo, ele era o mundo para ela, e ela também o mundo para ele. Mas no passar dos anos e afetados pela monotonia, a melancolia dessa vez resolveu pousar no coração de Blenda, até passados poucos anos andavam juntos pelas ruas e pelos bairros um agarrado ao outro, mas o tempo, esse cruel e monstro sagrado que a tudo transforma trouxe ao coração de Blenda a triste e cruel solidão, Blenda sempre esteve acompanhada mas de uns anos para cá alegava está sempre sozinha, cansada da monotonia e da solidão, Blenda jogou tudo para o espaço e deixou para traz Miguel e o seu pequenino coração, saiu para conhecer o mundo, onde o limite era sua vista junto a linha do horizonte, e o passaporte a vontade que ela tinha de se auto encontrar e também de escrever seu nome.