Sobre

Per la donna più bella del mondo

Tu és a mulher mais linda do mundo, mesmo que não acredite em uma só palavra minha, e mesmo que digas que existe milhares de outras mulheres lindas, para mim tu és a mulher mais linda do mundo.

Mesmo que me vejas seguindo outras belezas, é na beleza de tua face que me completo, é na beleza de tua face que esqueço realmente quem eu sou.

Eu quero me afogar em teus abraços como quem bebe água do mar, mesmo sabendo que não pode sobreviver, o teu cheiro é meu refúgio, e minha alma a esta altura já está há tempos preso a tua.

Que o sol e os girassois sejam testemunhas, que meu coração se entristece quando não te vê, que meus dias são mais tristes sem tua presença, e que for para não te ter, prefiro me perder em um caminho sem volta.

O Vírus

O vírus está matando todo mundo. Quem viveu e quem não viveu o vírus está matando. O racista, o negro, o católico e o protestante o vírus está matando.

O avarento que guardou dinheiro por toda a vida e não gastou esperando sempre acumular mais, o vírus também está matando. O religioso que vai a igreja todos os dias para orar a deus e falar da vida dos demais, esse o vírus também está matando.

O vírus não é humano e também não é um juiz, não aceita suborno e não se pode comprar como alguém que se compra uma opinião alheia. O vírus anda consumindo os homens e toda a sua moral fraca.

O vírus é um assassino perfeito, é invisível aos olhos do homem e se propaga como um amigo após um aperto de mão, o vírus derruba até mesmo o mais forte dos homens.

Tuo per sempre

Eu poderia ir a tua casa e escrever um – eu te amo – para te dizer o quanto eu sinto a tua falta. E hora ou outra te perturbar no seu trabalho. Eu poderia em vão te dizer o que eu sinto deixando os meus olhos descrever o meu estado.

Eu poderia em vão te oferecer flores e palavras de amor, mas sei o que queres de mim nessa hora é distância. Eu queria me esbarrar contigo pelas ruas, e sentir a adrenalina acelerar meu coração, eu queria ser teu novamente, sem disputas ou desentendimentos que distancie os já distanciados corações.

Queria te ouvir dizer que sou chato, para poder sentir os teus lábios novamente, eu queria te abraçar forte pra sentir o quanto eu sou mortal. E queria te sequestrar pra mim e deixar tua família completamente louca.

E queria sentar contigo e olhar as plantas, relembrando o primeiro momento que nos conhecemos, e dizer que se houvesse outra vida, eu queria te conhecer de novo.

A vida que passa

A chuva cai um pouco forte, e os carros estão passando devagar. Lá fora um corpo espera sua vez, a sua vez caro corpo vai chegar. É uma moça motociclista, é uma garota cujo o tempo não vai voltar. E todos vão colocando seus olhos e os seus rostos sobre as janelas, querendo ver o corpo no chão, talvez por curiosidade esperando não ser um conhecido, talvez para se chocar com a cena de horror que vai manchando todo o chão de sangue e de vísceras pelo o asfalto.

E o trânsito está muito lento, quem está distante quer chegar para ver o que é! Alguns olham com um ar perplexo, tão jovem dizia ela, tão bela dizia ele, e o estresse vai dando um bom dia aos motoristas que vivem pelo o asfalto. – Motocicleta nunca quis para mim e nem para os meus filhos – diz a mãe vendo a moça estendida no chão.

E todos querem chegar ao trabalho, tiram fotos e mandam mensagens como um furo de reportagem para amigos e toda a família, o senso da humanidade às vezes é mais selvagem do que os próprios animais, e o corpo da moça espera sua vez de ir para o necrotério.

Inventário

Quando eu morrer eu sei que não vou para o céu, pois durante minha vida não perdi meu tempo com imagens de barro, nem com cultos ou missas em um sábado de sol ou domingo de chuva.

Quando eu morrer vou voltar a minha origem normal, meus tecidos serão decompostos por infinitas bacterias e o meu sangue irá virar água de chuva. Em síntese serei apenas átomos.

Quando eu morrer não quero lágrimas, não quero mensagens de agradecimento ou orações que se resumem em perda de tempo. Eu quero ser cremado e minhas cinzas jogadas ao mar.

Quando eu morrer deixarei de existir como matéria, mas minha arte ou tudo que dediquei a ela, irá sobreviver na vã brevidade do tempo.

O deus Pedra

Estou do lado onde deus não existe, onde sua quimera existência não pode ser provada. Eu vivo nas ruas, nos becos escuros com esgoto a céu aberto. Na mulher grávida e abandonada pelo marido, e que bradou nas redes durante o dia defendendo a família e a total criminalização do aborto.

Eu sou aquilo que você não pode ver, eu sou a lágrima salgada de alguém que chorou porque não tinha o que comer, sou o homem que sofre preconceitos diários, e que morre esperando um milagre que caía dos céus, pois aqui na terra já não resta mais esperança.

Eu sou o crente vítima de estelionato, e que vai ao culto sem ter o que vestir, mas que tem esperança de crescer e de humilhar os seus semelhantes para que assim eles possam ver o quanto o seu deus é grande, o quanto por deus ele está protegido.

Eu sou o homem que não tem mente para raciocinar, que acreditam em um deus pedra, pois “Se ele fizer é deus, e se ele não fizer continuará sendo deus” assim os homens se resumem em pedras desgastadas pelo o tempo, como o seu deus perdido na imensidão do espaço.

Alegria em meu coração

Apesar de tudo eu continuo, mesmo sabendo que não queres mais me ver. E o sol há de brilhar em meu rosto quando despontar no horizonte, quando os pingos de chuva apagarem nossos passos que deixamos sobre a areia do mar.

Eu continuo a viajar, seja para fugir de mim ou para fugir de nós, porque ao fugir de mim sei que estou solitário, como um barco a deriva no meio do mar, como uma folha desgarrada da árvore pela força do vento, e o vento vai secando minhas lágrimas, o vento sabe o quanto eu estou desaparecendo aos poucos.

E eu me ponho na estrada, talvez de volta para onde não tivesse saído, eu volto para o meu abrigo, que é lá onde sempre estive, é lá onde somos todos iguais.

Tuas palavras guardo na memória, e hora ou outra vou ao jardim te buscar, revendo as plantas que me destes, os cactos e as orquídeas, até as rosas que secaram porque não soube cuidar, tudo eu guardo, porque é revendo isso, que eu te encontro aonde não podes estar.

Suave amor

Te ver é um vício diário, mesmo que saibas que eu não te vejo em um sentimento presente, mesmo que de mim afasta teus afagos e teus beijos de bom dia.

O meu lance de perigo é te sentir em um dia, escondida em um carro, distante dos olhos da humanidade, distante de quem procura sujar o nosso nome.

Minha maior aventura é te sequestrar desse teu mundo, te sentir em meus braços, e quando estivermos juntos perguntarmos o que faremos depois.

Sei de tua personalidade forte, e sei que quando te machucam você foge para não ter um reencontro, mas acho que ainda me amas em algum lugar desse teu coração, desse seu amor escondido do mundo.

O Pantanal em chamas

O Pantanal está queimando, ardendo como brasa, matando plantas e animais e jogando toneladas. O ar está insustentável, o governo está insustentável, mas vamos caminhando com fumaça nos pulmões.

A Amazônia desaparece a cada árvore derrubada, o agronegócio já ocupa o Madeira e o Solimões, a cada quilômetro eu caminho e fujo das queimadas, a cada quilômetro eu observo meu futuro de carbono.

E a chuva está chegando escurecendo o horizonte, carregada de fuligem, corroendo os carros e caminhões, possui um cheiro de enxofre e parece chuva ácida, vem trazendo o veneno para a mesa de refeições.

Quando vestia-se de girassóis

A procura do amor verdadeiro ela saiu sem destino, queria as flores do campo, queria apenas os lírios. Sonhava com o pôr-do-sol da casa de seus pais, queria algo que acalmasse as dores acidentais.

E para ela o amor não era algo inerte, machuca e dilacera tudo a sua volta, como um punhal rasgando toda a carne nos músculos, que sangra e tritura quando a noite vai embora.

E mesmo que ela fuja de mim quando eu a vejo, seus beijos ainda guardo nos lábios como um encanto, na época que dormia sonhando com o mundo, na época que chamava meu nome em um susurro.