Sobre

“What is coming is better than what is gone”

Talvez nesses desencontros que a vida nos impõe, o que está por vir seja melhor do quê o que já se foi. E a experiência é uma dura prova cruel da qual nós nunca escapamos.

Eu já pensei em desistir, quando em mim eu já sabia que você nunca mais iria voltar, eu quis sair pelas ruas, para ver a lua pela última vez, acordei em uma manhã de chuva e um cachorro de rua lambia o meu rosto.

Eu quis me afogar no álcool para ver se esquecia o passado que andava torturando minha mente, talvez em sua essência as pessoas sejam boas, talvez essas interpretações precipitadas ande confundindo meu pensamento, acho que ainda há esperança para essa insanidade, acho que ainda sobrevivo por mais um dia, nesse pequeno universo de loucos.

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O Mar

Foi pelo o mar que nações foram criadas, mães se despediram para sempre de seus filhos, pois no mais íntimo do seu coração, elas sabiam que eles nunca mais iriam voltar.

Foi pelo o mar e através do mar que homens cruzaram os oceanos em busca do desconhecido, e deixaram suas esposas e namoradas com lágrimas nos olhos, que talvez pelo o acaso e pelo o destino deixaram as águas do Atlântico ainda mais salgadas.

E assim o mar formou nações, pois tornou-se a estrada entre a Europa e a América, e assim o mar é o alívio imediato para curar todas as dores que trazemos no sentimento mais oculto de nossas almas e nas feridas expostas de nossos corações.

Não me fale de qual lado nasce o sol

Quem vive longe do mar, em um dia de solidão ou de saudade, quer voltar. E não importa se vives perto da costa ou para além das fronteiras brasileiras, o mar inspira beleza que todo mortal deve sentir antes de dizer adeus.

Ver o mar para o ser humano deveria ter a mesma religiosidade de um mulçumano, que durante toda sua jornada na vida, e dentro de suas condições materiais, visita Meca, e cumpre na terra o dever e o respeito por sua religião.

O mar ainda pode nos ser um antídoto que reage em nosso corpo neutralizando o veneno que pessoas ruins ingetaram durante nossa caminhada, e o mar é tudo isso, pode ser a cura ou a esperança dos simples mortais que andam sobre a terra, e o mar é o desejo da moça em voltar a sonhar.

Trotsky

Talvez nos sentimentos profundos de seus desejos, ele quisesse mesmo dar um status de igualdade a todas pessoas de seu meio. Passaram-se os anos, passaram-se os dias na prisão, sem esquecer a humilhação da herança judaica carregada diariamente naquele meio.

E mudar a sociedade já não era mais um sentimento profundo de tornar o nobre igual ao operário, agora havia passado de uma alienação utópica para uma megalomaníaca sede de poder.

Então, o homem simples que sonhou com o comunismo além dos montes Urais, e muito mais além da Europa civilizada, passou a criar serpentes em seu meio, até que a revolução com suas próprias pernas saiu engolindo todo o sistema antigo, e foi atrás para além do Atlântico a procura de um dos seus fazendeiros, engolindo para sempre o judeu chamado Trotsky.

A vista da lua ainda é gratuita

Disseram a ela que devia partir porque ficar já não era mais sensato. Passaram-se os dias e passaram os meses no alpendre que dá vista que espelha sua casa, onde ela pode enxergar o mundo.

Do mundo podemos dizer que ele não é mais o mesmo. Há muitas mortes nas páginas dos jornais, há muito fogo destruindo as matas, há muita gente brigando por coisas banais.

Eu queria juntar dinheiro para viver uma vida tranquila, mas viver uma vida tranquila é apelar demais para algo fantasioso, então eu caio no mundo sem estratégias, o dinheiro é consumido pelos os vícios que eu tenho em alimentar uns sonhos que me impulsionaram a continuar vivo.

Agora eu olho para trás tentado enxergar um futuro em retalhos. Talvez a cultura seja a única fonte de inspiração para enfrentar todos os obstáculos.

Tempos difíceis

Eu poderia procurar deus na sinagoga, mas em tempos difíceis como esses, encontrar deus na sinagoga é muito perigoso. Eu poderia encontrar deus na igreja cristã, mas em dias difíceis como esses, ao me verem procurar deus em uma igreja cristã, talvez não seja aceito, o comércio é maior que a própria economia de mercado. Eu poderia procurar deus em uma mesquita, mas em tempos difíceis como esses, procurar deus em uma mesquita é muito perigoso, posso ser taxado de terrorista, posso ser linchado em plena praça pública. Eu decidi então negar a existência de deus em todo lugar que eu for, mas em tempos difíceis como esses, aceitar ou negar a deus, é o único fio que determina está vivo ou está morto. A religião é o analgésico e o instrumento de controle de toda essa sociedade.

A vida não se encerra no fronte

O romance acabou porque ela disse que eu não queria me casar, como se a felicidade estivesse no casamento. E então tomamos caminhos opostos, da vida que tivemos vez em quando escorre uma lágrima, dessa vida que ela realmente percebeu o sentido da felicidade. Mas agora já não há mais volta, a locomotiva me levou para os campos de batalha, nessa locomotiva posso sentir o medo das pessoas, jovens, adultos, todos transformados em soldados para morrer pelo o nosso país, todos livres e culpados nesse jogo da morte traçados além do Atlântico, no berço da civilização mordena, a Europa! Agora meu pai espera que eu represente o meu país, minha mãe espera que eu me mantenha vivo. Mas tudo o que eu mais queria era escrever uma carta e dizer para ela que esqueceu de mim, dizer que a amo. Porque talvez eu não volte mais para essa costa verde que possui aquele frio suave que vem do mar. Nesse instante,o nosso objetivo é derrotar a Alemanha que se desponta dominando países e matando pessoas, mas ainda o mais importante que voltar vivo, mesmo que todos esses seres humanos morram todos pelo o interesse da expansão e da dominação econômica, peças das mentes pensantes que a esta hora tomam seu wiskey e fumam seus charutos que vale mais que a vida de muitos soldados, eu quero voltar vivo para dizer que eu te amo, e caminhar nas areias brilhantes da praia, sentido o som da natureza e da vida que nesse dia irá começar.