O escravo africano

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Aves cruzam o céu; o firmamento talvez não seja o mesmo de antes. Nas praias, hordas de homens de pele escura se prostram pelo chão. Nos olhos, as lágrimas que caem, como as águas do rio Zaire, misturam-se ao oceano.
Talvez a única marca que os equipare à condição humana seja o sangue correndo das costas, fazendo temer o africano.
E, nas praias lusitanas, os cativos arrancados das florestas e das estepes africanas darão lucro aos financiadores, e não se respeitarão os laços sanguíneos: cada prisioneiro caminhará com sua própria sorte.
A crueldade é tamanha que embrulha o estômago de qualquer ser humano, exceto o do comerciante que, diante de seus olhos, não vê seres humanos, apenas peças de mercadoria comparadas a animais.
E segue uma caravela atrás da outra, a ponto de os portugueses superarem os árabes no comércio de escravos africanos. O escravo branco do Cáucaso será abandonado no comércio europeu; e a fuga para a pele escura se tornará impossível nas cidades europeias do século XV.

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