O Amor pode acabar?

Sim, o amor se define no sentido de dar e não de receber, e nos sentidos da vida o amor não se expressa como uma ciência, o amor é uma arte, e como todas as artes em resumo o amor se vive.

Dos amores românticos esse é o mais difícil de definir, o amor romântico é um caos criado em um universo de duas pessoas, e quem não tiver suas bases fixas para suportar toda essa carga, que capitule e desça do trem na primeira parada.

E o amor quando direcionado a uma pessoa, se sentido no primeiro ato, desse amor nasce um impacto, maior que uma explosão, o amor existe nos olhos da menina que espera uma carta e o amor ainda existe no coração de quem está distanciado .

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O vento no deserto

Os ventos fortes ainda sopram do norte, os ventos fortes ainda vão continuar a soprar. A brisa fria carrega teu beijo, e essa noite a mesma brisa vai incomodar.

Há dias que não vejo o sol, já faz dias que tudo parece o mesmo, e a mente continua a mesma, são nos pequenos detalhes que o tempo vai nos matar.

Agora volto a face olhando para o norte, é nessa fase da vida que ainda observo, o vento modifica tudo a sua volta, o mesmo vento anda esculpindo nossas faces no deserto.

O suspiro dos sonhos

Eu hoje sonhei com ela desses sonhos que aparecem para mim tão repentinamente. Nesse sonho ela estava bela como sempre, e para mim despertou curiosidade, pois ela parecia com alguém que eu já conheço, nesse momento, ela era a saudade e o receio, acho que ela era a pessoa com quem eu não queria continuar.

Varsóvia

Na cultural Varsóvia de 1939, vivia o judeu Shmuel Amshterdam de 65 anos, filho de Moishe Amshterdam. Descendiam de uma família judia da Holanda, que decidiu expandir os negócios pelo o antigo império Austro-húngaro da família Habsburgo. Shmuel entrou para o mundo dos negócios logo cedo, quando criança o pai sempre o levava para as regiões mais inóspitas do Império russo e para além do território dos Otomanos.

Shmuel, muito cedo começou a guardar dinheiro, acordava pensando em dinheiro, e dormia pensando em dinheiro, sempre acumulando. Não gastava com nada, só o essencial lhe bastava, e quando comercializa alimentos, se adquirisse demais e sobrasse, ele reaproveitava os alimentos estragados para o consumidor afim de nunca peder um centavo investido. Vinha mercadoria de toda a Europa, pois em toda grande cidade havia um judeu que assim como Shmuel, estava a procura de expandir os negócios.

Os Amshterdam, vieram da Holanda, descendiam de antigos judeus portugueses que migraram para Holanda fugindo da inquisição da igreja católica, que iniciava pela península Ibérica uma purificação dos ritos cristãos, e também um limpeza étnica de toda a península Ibérica.

A guerra dava seu ar nebuloso na vizinha Alemanha, e já se tinha notícias dos espancamentos e dos linchamentos iniciados pela população com o apoio do Estado, que também através dos tribunais de exceção, executava judeus e inimigos das mais variadas entidades políticas e ideológicas que formavam o pensamento alemão.

Muitos outros judeus já estavam migrando para fora da Polônia, mas Shmuel não tinha medo, ele pensava que a Polônia jamais abandonaria seus cidadão diante de uma ameaça de conflito.

Shmuel guardava todo o dinheiro no sótão, escondido em um baú herdado do avô. Tinha dois filhos, Hannah e Isaac, educados pelo o costume judaico da família e da comunidade que era uma das maiores de toda a Europa.

Certo dia, a Alemanha invade e conquista toda a Polônia. Shmuel e a família não podem mais sair, toda a fronteira está cercada, os bens dos judeus são confiscados, todo o dinheiro se desvaloriza, o filho atira na boca, não suporta mais as privações que teve em vida, e não suporta ter que ver a chance se perder, quando tudo que ele mais era usar o dinheiro que a família tinha para viver melhor.

Shmuel e a família vê todo o dinheiro se desvalorizar, e são encaminhados para o campo de concentração de Auschwitz. Shmuel e a esposa são rapidamente descartados, apenas Hannah consegue sobreviver as privações e a violência do campo de concentração.

E assim decide construir uma nova vida longe da Europa, no coração da América, decide não ressuscitar mais as tradições judaicas, deixou tudo no último campo por onde passou, apenas estuda, casa, e vive uma vida pela qual sempre sonhou.

Ela foi embora

Ela foi embora porque não suportava mais viver, ela foi embora não porque deus quis, se deus quisesse e realmente existisse, talvez ela não tivesse ido.

Ela foi embora porque as pessoas a machucaram de mais, ela foi embora e agora ninguém pode mais trazê-la. Eu sei que o mundo continua a sua volta, eu sei que se pudessemos compreendê-la melhor, talvez ela ainda estivesse aqui.

E o sol ainda ilumina a última rosa plantada por ela, em um vaso simples desses que vende no mercado, ela foi embora para calar sua dor que tanto a incomodava.

O lobo azul

O campo está florido e as abelhas já saem para coletar o pólen das flores. Hoje o céu apareceu cinza e o mar está revolto, não é mais hora de pensar em suicídio, mas o que as pessoas tem a ver com isso, através de um pensamento metafísico posso decidir se vivo ou não.

É hora de retornar para casa, talvez eu adiante meus passos, talvez eu fique perdido na rua, me sentindo ser o único no mundo e se desfrutando de minha solidão.

A chuva vem, talvez eu sinta a chuva cair no meu rosto, talvez ela leve consigo a dor que os outros não veem, mas quem sou eu para pensar assim, todas as pessoas possuem suas dores secretas que não deixam ninguém saber.

E se eu morrer agora, o mundo por causa disso não vai parar, ele continuará, como sempre continuou, o mundo sempre continuou.

Loucura divina

Quando a guerra se aproxima de nossas fronteiras, as mães e as esposas começam a sentir a dor que devasta a terra e os corações.

E pedem a deus e aos deuses para que tragam seus filhos de volta. A loucura divina é hoje o que chamamos de estresse pós traumático, a loucura divina é o que acontecia com os gregos quando retornavam para casa.

E no campo de batalha a guerra só termina para os mortos, em um dia ou outro as guerras sempre vão florescer.