Tudo que seja matéria

Volto a face a escrever cartas de amor, é sempre bom voltar as origens e escrever cartas de amor. Pois quando as águas ficam turvam em razão das erosões e das tempestades que a vida nos dar, é sempre bom escrever cartas de amor para sentir que a vida existe e que o tempo ainda consome nas asas do vento tudo o que seja matéria. O sol ainda há de brilhar bilhões de anos e não devo me preocupar com isso, o que incomoda é o tempo que agride nossa pele e nosso corpo e nos mostra as imperfeições, nesse sentido nos mostra que não somos nada, e que nunca fomos nada, apenas esse curto percuso de vida que nos moldura alicerçado em base do nosso caráter, se pudéssemos voltar ao tempo esvitaríamos muitas coisas que hoje não nos agrada ou que andam consumindo o pouco de sanidade que ainda nos resta, fora a isso somos todos hunanos, e a qualquer minuto seremos tragados pelo mesmo tempo voraz, que anda consumindo nas asas do vento tudo que seja matéria.

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Apenas nós dois

Nesses dias de chuvas que nos faz pensar na vida, acho que não queria pensar em mais nada, o que eu queria nessa hora era apenas os teus beijos de amor, não importa como vens, se vens cansada do trabalho eu te aqueço perto de mim, e se porventura adormeceres em meus braços eu velarei teu sono, por uma hora você vai dizer que eu minto, que basta a noite chegar que o sono me abate, mentira ou verdade, o importante é que estou do teu lado para sentir lábios profundamente, nesse instante o mundo lá fora não existe, nesse curto instante consumido pelo tempo voraz adormecerás nos meus braços e toda a noite te darei beijinhos de amoeerr.

O sol há de brilhar

Toda pessoa por mais simples e desajeitada que seja, carrega dentro do seu peito um pensamento que não quer ser revelado, para alguns já nessa fase da vida a felicidade é uma utopia que está presente a cada respiração que a vida nos dar, viver talvez seja um dos atos de coragem que se toma diariamente, e não há tanta importância quando se sonha em ser algo na vida. Da vida, o que queremos é que ela não seja tão amarga o quanto está sendo, pois nela existe seres humanos das mais variadas personalidades, uns serão a chave para tua felicidade, outros serão a cima de tudo teu maior pesadelo, e em cada casa, rua ou cidade sempre haverão conflitos humanos, sempre haverá lágrimas caindo sobre alguns rotos, mas sempre haverá um dia após o outro, e o sol ainda há de brilhar.

Na casa

Dos amores que eu tive, talvez, em minha doce ilusão você foi a mais que me deixou feliz, não por sua beleza única e discreta, quando assim prendes o cabelo e deixa o pescoço amostra, mas talvez por seres você mesma e não procurar viver a vida dos outros. Dos amores que eu tive, talvez nunca beijei alguém assim como eu te beijo, dos beijos suaves e pesados que percorrem teus lábios e caminham por toda tua pele. Em algum momento e sempre me acharás esquisito, não por ser único e nem por ser igual aos outros, mas por ser louco dentro dos meus turbulentos pensamentos, e quando nessas loucuras que às vezes nos bate, eu pensar em desistir, eu quero sentir tua presença, hora ou outra ficarás com os olhos abertos pensando na vida, hora ou outra sentirás os meus lábios aquecendo tua face.

De volta para a estrada

Olhando o cadeado posto por fora para prender as grades, ela olhou pela última vez, para ter certeza que ninguém estava na casa que ela passou dias, ou talvez meses, entre os dias de sol, lua e tempestades. Recordar dói, mas permanecer na dor, talvez, seja mais doloroso ainda, e o tempo então seja um aliado para esquecer ou o pior inimigo que uma pessoa possa ter, é no silêncio da madrugada que ela recorda, é no silêncio da madrugada que ela não quer mais viver. Quando fechamos os olhos, escutamos passos vindo do além, talvez seja apenas o medo da solidão, talvez as lembranças passadas que permanecem vivas em nossas mentes, mas ela decidiu seguir, porque partir sempre foi a melhor opção para os dois, partir significou um sentimento de coragem mesmo com toda dor, o surgimento de uma nova vida, de uma adormecida mulher.

O amor nômade

Cansada de não amar mais e de não ter um sentido real pela vida, ela se segurou pelos cantos para não derramar o último pranto das recordações que lhe prendia. Perguntou para si – por que amamos tanto, e por que de uma hora para outra o amor vai embora? – não obteve a razão da resposta, quis sentir deus, pois para os outros que estavam a sua volta, deus era a razão de tudo, porque para eles se não existisse deus a vida não teria mais sentido, viu que a vida não era isso, o sofrimento é tão presente na vida do ser humano como o ar que ele respira, e perguntou ao vento procurando obter de deus o sentido para todo o seu sofrimento, sentou, respirou, e viu que por mais que gritasse deus em toda sua grandeza jamais iria conversar com ela, e ela apenas se consolou, pois sabe que nesse imenso mundo não é a única que sofre. O amor em algum sentido da vida é nômade, aquele real amor que nos despertou nas poucas primaveras de nossa vida já não é mesmo, e já também não pode ser o mesmo, nunca saberemos qual o verdadeiro sentido da gente gostar de alguém, essa pergunta atravessou milênios e continuará a atravessar, pois o amor não edifica construções e se estabelece em determinado lugar, o amor na história da humanidade e em algum dia será sempre nômade.

John

E quando acordei, vi em uma foto que para ele a vida apenas despontava, sei que durante toda sua vida ele vai enfrentar muitas batalhas, e vai querer ser criança novamente.

Talvez o amor surja na escola ou em uma rua a caminho da casa de seus avós, no momento ele ainda não sabe de nada, quer apenas os braços e o carinho dos pais, para ele isso basta.

Mas a vida tem muitas surpresas, e para você, meu pequeno John, desejo toda sorte do mundo, que o universo seja menos complexo, que a humanidade dura e cruel não seja um teste para provar tuas forças.

E que você consiga vencer como um grande guerreiro, pois esse mundo que te aguarda é muito cruel com os seres humanos.