O beijo no asfalto

Beijei o asfalto! Confesso que é o beijo mais doloroso e mais amargo que já tomei. Do instante que me levou ao asfalto até o dissabor de senti-lo arrancando minha face é uma sensação típica de um filme de suspense ou filme de terror. Não quero sentir isso nunca mais enquanto viver, como também não desejo ao pior dos inimigos, do asfalto quero apenas que me conduza ao leito de minha amada, que me espera em pensamentos, e que levarei para ela uma rosa e um pouco do meu calor.

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Seguir em frente

Deixei ela ir, porque senti que nem a terra poderia segurá-la, e nem os ventos uivantes que sopram durante a noite poderiam amendrontá-la. Hoje, ela está distante de mim, talvez ela tenha procurado o que sempre desejou, a felicidade temporária, do passado ela guarda uma mágoa que atravessa os montes da paisagem. Na estrada, sei que ela não colocará mais os pés como antes, da vida ela quer apenas está junto as borboletas e os girassóis.

Suportar a vida

Acho que nessa vida, ninguém deveria tentar limitar a liberdade das pessoas, pois ninguém é conhecedor do sofrimento do outro. E para suportar essa vida, que em certas horas se apresenta doce, e em outras completamente amarga, é preciso termos um ponto de fuga, pois para suportar todo o peso dessa vida, é preciso ter muita coragem. E o homem tolhido ao seu tempo e ao seu pequeno espaço, busca sempre a felicidade como algo material, acessível ao pequeno tato ou ao mais leve toque do vil metal, mais em tese o homem está sempre se decepcionando, porque a felicidade não é algo acessível como ele sempre imaginou.

John Lackland

Esse é o João. Uns o chamam de Miguel no ambiente de sua família materna, eu, na minha brincadeira interna o chamo John Lackland ou Joãozinho Sem Terra. Talvez João não tenha consciência da minha real existência, apenas me ver quando vou a sua casa. Acho que João quer um dia de sol na rua ou na praia, minha mãe quer vê-lo o tempo inteiro, e quer ir ao seu encontro sempre na semana. João não dá a mínima pra gente, apenas quer sorrir como se tivesse dentes se exibindo para a família e para todos que vão a sua casa, e no final de semana acho que o verei novamente.

Círculo da vida

Sei que você foi embora, e desapareceu nas curvas que definem essa estrada, da vida o que fomos, resta apenas a memória recheada de frustrações e arrependimento. Os barcos devem seguir, os trens devem seguir e a vida não deve parar. Talvez eu pegue de volta o caminho pela estrada que me conduziu até aqui, mas eu quero continuar, talvez andando eu chegue até o mar e reflita nesse tempo o que eu fiz da vida. Talvez eu ande em circulos e desmai de tanta exaustão! talvez alguém me encontre perdido no caminho. E nesses caminhos da vida que nós dois traçamos, seu principal desejo é me ter de volta em sua vida, sei que a ferida aberta não foi estancada, e suas lágrimas ainda regam as flores plantadas em nosso jardim, as flores cuidadas por nós dois.

Quando o amor nasce

Quando o amor nasce não vemos na outra face nada que diminua o ser humano. E assim não vemos em outra forma as cores do racismo, o preconceito que surge do poder econômico, e a falta de religião que hoje é tão natural.

Quando o amor nasce queremos apenas ver a pessoa amada, sonhar com os dias que virão e sonhar acordado com ela novamente.

É assim quando o amor nasce, talvez o amor seja o tempero de uma necessidade que não temos, uma necessidade que esteja por vir, ou até mesmo a ausência do que não fomos, tudo isso quando o amor nasce.

O tempo levou

Quando fechei os olhos já era noite, não vi o dia escorrer pelas minhas mãos. Também vi que o tempo passava, e vi que não somos nada diante da passagem transitória do tempo.

Dizem que a vida é o inferno para quem vive, na verdade, o inferno é ver o tempo passar, e você perceber que não fez nada, e quando perceber esse fato, o tempo acaba, aí não sobra mais tempo.

Então, refletindo sobre o tempo! desse tempo sei que não levarei nada, mas deixarei na superfície da terra, as marcas sofridas de alguém que o tempo levou.

Foto: Frankie Kwan