O amor secreto

Talvez nessa rotina que a vida te impõe, e nesse relapso estresse que o trabalho te impõe, não caminhamos até aqui para desistir, pois, desistir disso seria desistir de nós dois. Você não entenderá esse silêncio que nos ronda, e pensará que meus atos é comparado aos dos mortos, que já não sentem nada que está a nossa volta. Da vida, você pensa na ferida que o passado te expôs, do presente espera algo que a gente não criou, e assim machuca a si mesmo quando o sol vai embora.

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Meu eu

Talvez você ainda povoe meus pensamentos quando tudo já se encontra perdido no espaço, onde cada passo dado agora já não tem mais sentido, pois, os passos perdidos e sem sentido nessa atmosfera foram criados por nós dois.

Você, volta e meia e no silêncio desse tempo devorador, olhará as estrelas, e retornará as lembranças procurando um sentido para vida e um sentido para ver como chegou até aqui, e nesse intervalo de tempo, só sentirá remorso, é que no fim, o monstro não foi criado apenas por mim, o monstro foi alimentado por nós dois.

E esse monstro nos perseguirá até ficarmos velhos, o tempo consumirá tudo a nossa volta: pessoas, animais e prédios, mas enquanto estivermos vivos e respirarmos esse ar, eu povoarei tuas lembranças, pois as cicatrizes gravadas na memória, só se apagam quando a vida vai embora.

Viver perigosamente

A dor é uma condição necessária para a felicidade, ninguém jamais será feliz se antes não experimentar o quão é prazeroso superar os obstáculos que a vida impõe, e acima de tudo sobreviver, a vida só pode ser plena quando vivida perigosamente. Ninguém vai compreender o sentido da vida estando isolado e enclausurado em seu quarto, antes, é preciso sair de si mesmo para encontrar o outro humano que o espera.

O beijo no asfalto

Beijei o asfalto! Confesso que é o beijo mais doloroso e mais amargo que já tomei. Do instante que me levou ao asfalto até o dissabor de senti-lo arrancando minha face é uma sensação típica de um filme de suspense ou filme de terror. Não quero sentir isso nunca mais enquanto viver, como também não desejo ao pior dos inimigos, do asfalto quero apenas que me conduza ao leito de minha amada, que me espera em pensamentos, e que levarei para ela uma rosa e um pouco do meu calor.

Seguir em frente

Deixei ela ir, porque senti que nem a terra poderia segurá-la, e nem os ventos uivantes que sopram durante a noite poderiam amendrontá-la. Hoje, ela está distante de mim, talvez ela tenha procurado o que sempre desejou, a felicidade temporária, do passado ela guarda uma mágoa que atravessa os montes da paisagem. Na estrada, sei que ela não colocará mais os pés como antes, da vida ela quer apenas está junto as borboletas e os girassóis.

Suportar a vida

Acho que nessa vida, ninguém deveria tentar limitar a liberdade das pessoas, pois ninguém é conhecedor do sofrimento do outro. E para suportar essa vida, que em certas horas se apresenta doce, e em outras completamente amarga, é preciso termos um ponto de fuga, pois para suportar todo o peso dessa vida, é preciso ter muita coragem. E o homem tolhido ao seu tempo e ao seu pequeno espaço, busca sempre a felicidade como algo material, acessível ao pequeno tato ou ao mais leve toque do vil metal, mais em tese o homem está sempre se decepcionando, porque a felicidade não é algo acessível como ele sempre imaginou.

John Lackland

Esse é o João. Uns o chamam de Miguel no ambiente de sua família materna, eu, na minha brincadeira interna o chamo John Lackland ou Joãozinho Sem Terra. Talvez João não tenha consciência da minha real existência, apenas me ver quando vou a sua casa. Acho que João quer um dia de sol na rua ou na praia, minha mãe quer vê-lo o tempo inteiro, e quer ir ao seu encontro sempre na semana. João não dá a mínima pra gente, apenas quer sorrir como se tivesse dentes se exibindo para a família e para todos que vão a sua casa, e no final de semana acho que o verei novamente.