Trotsky

Talvez nos sentimentos profundos de seus desejos, ele quisesse mesmo dar um status de igualdade e a todas pessoas de seu meio. Passaram-se os anos, passaram-se os dias na prisão, sem esquecer a humilhação da herança judaica carregada diariamente naquele meio.

E mudar a sociedade já não era mais um sentimento profundo de tornar o nobre igual ao operário, agora havia passado de uma alienação utópica para uma megalomaníaca sede de poder.

Então, o homem simples que sonhou com o comunismo além dos montes Urais, e muito mais além da Europa civilizada, passou a criar serpentes em seu meio, até que a revolução com suas próprias pernas saiu engolindo todo o sistema antigo, e foi atrás para além do Atlântico a procura de um dos seus fazendeiros, engolindo para sempre o judeu chamado Trotsky.

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A vista da lua ainda é gratuita

Disseram a ela que devia partir porque ficar já não era mais sensato. Passaram-se os dias e passaram os meses no alpendre que dá vista que espelha sua casa, onde ela pode enxergar o mundo.

Do mundo podemos dizer que ele não é mais o mesmo. Há muitas mortes nas páginas dos jornais, há muito fogo destruindo as matas, há muita gente brigando por coisas banais.

Eu queria juntar dinheiro para viver uma vida tranquila, mas viver uma vida tranquila é apelar demais para algo fantasioso, então eu caio no mundo sem estratégias, o dinheiro é consumido pelos os vícios que eu tenho em alimentar uns sonhos que me impulsionaram a continuar vivo.

Agora eu olho para trás tentado enxergar um futuro em retalhos. Talvez a cultura seja a única fonte de inspiração para enfrentar todos os obstáculos.

Tempos difíceis

Eu poderia procurar deus na sinagoga, mas em tempos difíceis como esses, encontrar deus na sinagoga é muito perigoso. Eu poderia encontrar deus na igreja cristã, mas em dias difíceis como esses, se me verem procurar deus em uma igreja cristã, talvez não seja aceito, o comércio é maior que a própria economia de mercado. Eu poderia procurar deus em uma mesquita, mas em tempos difíceis como esses, procurar deus em uma mesquita é muito perigoso, posso ser taxado de terrorista, posso ser linchado em plena praça pública. Eu decidi então negar a existência de deus em todo lugar que eu for, mas em tempos difíceis como esses, aceitar ou negar a deus, é o único fio que determina está vivo ou está morto. A religião é o analgésico e o instrumento de controle de toda essa sociedade.

A vida não se encerra no fronte

O romance acabou porque ela disse que eu não queria me casar, como se a felicidade estivesse no casamento. E então tomamos caminhos opostos, da vida que tivemos vez em quando escorre uma lágrima, dessa vida que ela realmente percebeu o sentido da felicidade. Mas agora já não há mais volta, a locomotiva me levou para os campos de batalha, nessa locomotiva posso sentir o medo das pessoas, jovens, adultos, todos transformados em soldados para morrer pelo o nosso país, todos livres e culpados nesse jogo da morte traçados além do Atlântico, no berço da civilização mordena, a Europa! Agora meu pai espera que eu represente o meu país, minha mãe espera que eu me mantenha vivo. Mas tudo o que eu mais queria era escrever uma carta e dizer para ela que esqueceu de mim, dizer que a amo. Porque talvez eu não volte mais para essa costa verde que possui aquele frio suave que vem do mar. Nesse instante,o nosso objetivo é derrotar a Alemanha que se desponta dominando países e matando pessoas, mas ainda o mais importante que voltar vivo, mesmo que todos esses seres humanos morram todos pelo o interesse da expansão e da dominação econômica, peças das mentes pensantes que a esta hora tomam seu wiskey e fumam seus charutos que vale mais que a vida de muitos soldados, eu quero voltar vivo para dizer que eu te amo, e caminhar nas areias brilhantes da praia, sentido o som da natureza e da vida que nesse dia irá começar.

Essa noite

Essa noite, eu sonhei que a pobreza não existia mais, que ninguém mais ia passar fome, e que ninguém precisaria se prostituir para alimentar seus filhos. Essa noite, o mundo parecia mais justo e todos pareciam sorrir. Nessa noite a lua parecia mais bela, e a garota que estava triste e pensava em suicídio, saiu para a rua e começou a sorrir, ninguém precisa mais prejudicar o outro para ter uma vantagem, nessa noite os casais separados voltaram a se encontrar, e o animal deixado na rua encontrou um lar. Essa noite, parecia aquele mundo conhecido por paraíso e descrito pela Bíblia, nessa noite eu me senti um humano de verdade, mas de repente eu acordei, e percebi que era um sonho, que aquilo não passava de um sonho, e o mundo mostrou novamente sua face, o mundo é o que chamamos de pesadelo.

O pequeno Istvan Reiner

Eu não sei onde estava deus, quando permitiu que tamanha barbárie fosse cometida contra seu povo. Eu sei que a bíblia fala que deus é misericordioso, que é perfeito e repleto de bondades, mas juro e volto minha face para o horizonte e me pergunto onde estava deus que permitiu tamanha barbárie. Talvez, essas mortes serviram para provar aos judeus que para viver no Estado de Israel era preciso passar por uma provação, talvez tenha sido apenas um castigo que passou por centenas de gerações, por terem negado a Cristo, não sei, juro que minha mente não consegue acreditar nas mortes de milhares de crianças e mulheres, minha mente não consegue aceitar o assassinato de qualquer pessoa. Apenas deus permitiu que pessoas que o amava fizessem isso, afinal, a Alemanha era civilizada e havia aceitado a Cristo desde a Idade Média, mas não consigo entender porquê deus permitiu que mais de seis milhões de judeus, o povo eleito, perecesse nas câmaras de gás de Auschwitz, Treblinka e Darchau, e tantas dezenas de outras, como também fuziladas por pelotões da SS que invadiam as aldeias e as cidades, a procura de todo aquele que tivesse sangue semita. Apenas sei que deus não poupou as grávidas e os recém nascidos permitindo que o sangue judeu fosse derramado nos guetos das grandes cidades. Talvez, seja porque o algoz alemão fosse cristão, pois muitos que ali estavam eram católicos e protestantes, muitos que ali estavam, amavam a deus sobre todas as coisas, agora eu sei da vontade de deus, pois deus tem um propósito e ele é bom o tempo todo.

Ruby Bridges

Quando o sol despontou e começou a brilhar na antiga cidade de Nova Orleans na Louisiana, Ruby Bridges também começou a caminhar com seus sapatos pretos e seu vestido branco escoltada por policiais federais para uma tradicional escola de brancos, que ela como outras crianças negras tiveram o direito assegurado pela Corte Suprema norte americana para estudar. Ruby talvez em sua mente não entendia todo aquele ódio, talvez o que a motivou foi a coragem e a força que vinha de sua mãe para enfrentar tudo sem desistir, sem ficar pelo caminho. E os xingamentos vieram de todos os lados, das mães que não queriam verem seus filhos brancos e saudáveis, com uma menina de pele escura, frazina e condenada por toda aquela sociedade, sociedade essa que sempre orou e agradeceu a deus na hora das refeições e antes de dormir, sociedade essa que não perdia um domingo no culto ou na missa, sociedade essa que trouxe a palavra de deus para suas leis, sociedade essa que nunca amou e nunca amará seu semelhante. Mas a Ruby não desistiu, a Ruby carregou no peito a mesma coragem da Rosa Parks e de Elizabeth Eckford, mas diferente um pouco das outras, a Ruby era apenas uma criança e contra ela vieram os gritos de macaca, bruxa, filha do diabo e outros do mais puro ódio disferido contra uma criança, saído da boca de cristãos que diziam amar a deus e ao país, assim a vida continua, pois entre a bíblia e a sociedade, existe muito ódio no coração das pessoas.

Foto: Ruby Bridges