O despertar da consciência

Do acidente da matéria, a esta forma de pedra que fala, o homem está sempre a procura de um sentido. Um sentido para viver, para crer ou para fugir dessa solidão cósmica que o castiga quase que diariamente. Em síntese, o homem é o animal mais selvagem que há na natureza. E na religião não é diferente, não pode ser diferente, herdamos dos nossos pais e dos nossos antepassados, essa mentira moral que modifica nossas vidas, que nos torna presos e sem total liberdade, a religião é o mal e a escravidão mais cruel que há, pois se retirarmos esse trunfo que resta para algumas pessoas, elas não terão mais paz, não terão mais vida, a religião é aquilo que chamamos de uma droga extremamente pesada, nesse sentido, ela nos ajuda a suportar as tristezas, as perdas da vida, e se retirarmos isso das pessoas, elas não estarão preparadas para aceitar essa perda, que é a morte de deus, a morte daquilo que era a única chave para sair desse pesadelo, o homem em si não tem forças para matar deus, deus é muito e infinitamente superior ao homem; o conhecimento, a ciência sim, são os únicos instrumentos que podem destronar esse deus infinitamente superior, e transformá-lo em um mito com os pés de barros.

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Essa noite

Essa noite, eu sonhei que a pobreza não existia mais, que ninguém mais ia passar fome, e que ninguém precisaria se prostituir para alimentar seus filhos. Essa noite, o mundo parecia mais justo e todos pareciam sorrir. Nessa noite a lua parecia mais bela, e a garota que estava triste e pensava em suicídio, saiu para a rua e começou a sorrir, ninguém precisa mais prejudicar o outro para ter uma vantagem, nessa noite os casais separados voltaram a se encontrar, e o animal deixado na rua encontrou um lar. Essa noite, parecia aquele mundo conhecido por paraíso e descrito pela Bíblia, nessa noite eu me senti um humano de verdade, mas de repente eu acordei, e percebi que era um sonho, que aquilo não passava de um sonho, e o mundo mostrou novamente sua face, o mundo é o que chamamos de pesadelo.

O pequeno Istvan Reiner

Eu não sei onde estava deus, quando permitiu que tamanha barbárie fosse cometida contra seu povo. Eu sei que a bíblia fala que deus é misericordioso, que é perfeito e repleto de bondades, mas juro e volto minha face para o horizonte e me pergunto onde estava deus que permitiu tamanha barbárie. Talvez, essas mortes serviram para provar aos judeus que para viver no Estado de Israel era preciso passar por uma provação, talvez tenha sido apenas um castigo que passou por centenas de gerações, por terem negado a Cristo, não sei, juro que minha mente não consegue acreditar nas mortes de milhares de crianças e mulheres, minha mente não consegue aceitar o assassinato de qualquer pessoa. Apenas deus permitiu que pessoas que o amava fizessem isso, afinal, a Alemanha era civilizada e havia aceitado a Cristo desde a Idade Média, mas não consigo entender porquê deus permitiu que mais de seis milhões de judeus, o povo eleito, perecesse nas câmaras de gás de Auschwitz, Treblinka e Darchau, e tantas dezenas de outras, como também fuziladas por pelotões da SS que invadiam as aldeias e as cidades, a procura de todo aquele que tivesse sangue semita. Apenas sei que deus não poupou as grávidas e os recém nascidos permitindo que o sangue judeu fosse derramado nos guetos das grandes cidades. Talvez, seja porque o algoz alemão fosse cristão, pois muitos que ali estavam eram católicos e protestantes, muitos que ali estavam, amavam a deus sobre todas as coisas, agora eu sei da vontade de deus, pois deus tem um propósito e ele é bom o tempo todo.

Assim nasce mais um marginal

O sexo é um fator biológico do ser humano, o adolescente e o adulto hétero, em uma balada ou em uma esquina qualquer, se ele encontrar uma menina que assim como ele foi para se divertir, ele certamente vai conseguir o que o motivou a ir para aquela festa, e se ela se apaixonar por ele, vai ceder para não perdê-lo, na ilusão de capturá-lo como o macho protetor, mas o homem não fica com ela por fatores químicos da paixão, o homem age pelo instinto da natureza, e vai praticar o sexo sem nenhum tipo de censura, raramente vai pensar em gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis, agirá pelo o instinto natural, pois o lobo pode perder os dentes, mais jamais sua natureza. Então após o coito sexual, ele a dispensará, pois ela pensou de uma forma romântica, tipo aquelas músicas que ela escutava em seu quarto dividido com mais 4 irmãos, músicas românticas de funk, pagode ou forró eletrônico, e ele como eu disse age pela sua natureza. Ela, em grande parte está repetindo os mesmos atos de sua mãe e de suas tias, sem educação e sem instrução, o mercado de trabalho dispensa esse tipo de seres humanos. Ele é adolescente, e não pode ser responsabilizado civilmente por seus atos, o ônus cairá sobre os pais que geralmente possuem renda que não cobre as despesas de casa. Então o bebê nasce, e será criado por uma adolescente sem experiência moral e educacional para proporcionar a sua cria, e sua estrutura biológica não deixou de ser adolescente. A criança em sua maior parte do tempo será criada solta, pois na periferia não há creches e muito menos escolas adequadas, o dinheiro que veio destinado a educação fora desviada pelo o prefeito e pelos os secretários, para custear as viagens da esposa e dos filhos que queriam visitar a Disney ou aquele sonho de consumo da filha que era comprar um iPhone, e o ambiente já é propício ao tráfico, tudo fica longe da periferia, só os fortes sobrevivem ao martírio da violência, não há rede de esgoto e não há fontes de entretenimento, todos são esquecidos na parte que cabe ao Estado. E o bebê já é grande, mas continua sendo rejeitado pelo pais, avós e pela a comunidade. Dificilmente alguém irá indicá-lo para estudar e passar em um concurso, sofre bullying por parte dos outros alunos, por ser filho de mãe solteira, por ser pobre e por não está na moda que o capitalismo impõe. Culturalmente será forçado a pertencer a uma tribo formada pelo os vizinhos que possuem histórias parecidas a dele. Os candidatos só aparecem em época de eleição, o país possui milhões de desempregados e não absorverá alguém como ele, é descartável para o setor de produção e consumo, se infiltrará em alguns grupos para ganhar notoriedade, pois pertencer ao tráfico ou possuir uma arma, é bastante charmoso para conquistar uma menina da periferia, naturalmente morrerá em confrontos com outros bandidos ou com a polícia, ou será mais um indivíduo a compor o sistema penitenciário, e assim é a vida nas favelas e periferias de todas as capitais desse Brasil selvagem.

As gaiolas são o lugar onde as certezas moram

Quando eu rompi com o cristianismo, não rompi porque Deus não atendeu as minhas preces, quem sou eu para brigar com uma divindade do tamanho de Deus, pois sabia que diante de seu tamanho eu não era nada. Eu simplesmente observei o espaço, vi que existe milhões de estrelas e milhões de galáxias, e depois voltei os meus olhos para Deus, olhei para o planeta e reparei no meu consciente que as pessoas brigam por nada, morrem por nada, e depois voltei meus olhos novamente para Deus, e pensei porque ele é tão magnífico, tão grandioso e decidiu apenas habitar as pessoas nesse pequeno e miserável planeta, depois pensei porque Deus deixavam os pobres morrerem de fome, doenças e calamidades, mas depois vi que sempre há respostas para todas as perguntas feitas com lógica, respostas vagas que qualquer um pode dizer, respostas ditas do nada para consolar os já conformados seres humanos, eu observei que esses argumentos não se encaixam com a realidade, e é tão simples, é só olhar para as plantas e os animais e perceber que sua existência não veio do nada, e a bíblia jamais explicou os dinossauros, percebi que Deus é aquilo que os poderosos usam para se manterem no poder, ou viverem do poder, Deus é aquilo que o homem comum quer se destacar entre os demais. Percebi que um trabalhador, ou uma pessoa comum do povo jamais se libertará dessas gaiolas que foram impostas a ele, o homem comum está imerso na violência, no sofrimento e na solidão, e procura uma fuga dessas espadas que o apunhala, o homem comum aprendeu que quando morrer podera reencontrar todos os entes queridos que se foram, o homem comum pode ser facilmente controlado, pois vive apenas para trabalhar, ter filhos e se divirtir nos finais de semana, o homem comum é vital para a sobrevivência dos homens poderosos.

La felicità scorre attraverso le mani

Aqui estamos nós, em nossa luta incansável de descobrir a felicidade. Talvez eu nunca a encontre, como é natural encontrar um inseto no campo, pois, a felicidade não é um estado físico que se compra em uma mercearia do outro lado da rua, apesar que temos curtos relapsos de felicidade quando conseguimos um objeto desejado, mas tudo isso é passageiro, tal qual é verdade que estamos sempre a procura de um lançamento novo para chamarmos de nosso, para dizermos que o tivemos em vida. Diante disso, a vida passa, a vida passa e não percebemos que a estamos perdendo a procura de objetos materiais, esse texto está parecendo um pouco auto-ajuda eu confesso, mas confesso também que odeio auto-ajuda, pois é a literatura mais absurda que desiguala os homens dos animais, no sentido que o homem é um ser divino criado a imagem e semelhança do criador, e mesmo que tudo der errado nessa vida, há alguém que nos cuida e nos protege de todas as forças malignas aqui na terra. O homem em si, só se diferencia dos outros animais no modo que consegue racionalizar tudo a sua volta, mas em suma o homem é o mais perverso dos animais. E a felicidade? A felicidade é apenas um sentimento parecido com a água, pois quando tentamos segurá-la com as mãos, ela continua a escorregar pelos os dedos.

Foto: Alexander Khokhlov

Ruby Bridges

Quando o sol despontou e começou a brilhar na antiga cidade de Nova Orleans na Louisiana, Ruby Bridges também começou a caminhar com seus sapatos pretos e seu vestido branco escoltada por policiais federais para uma tradicional escola de brancos, que ela como outras crianças negras tiveram o direito assegurado pela Corte Suprema norte americana. Ruby talvez em sua mente não entendia todo aquele ódio, talvez o que a motivou foi a coragem e a força que vinha de sua mãe para enfrentar tudo sem desistir, sem ficar pelo caminho. E os xingamentos vieram de todos os lados, das mães que não queriam verem seus filhos brancos e saudáveis, com uma menina de pele escura, frazina e condenada por toda aquela sociedade, sociedade essa que sempre orou e agradeceu a deus na hora das refeições e antes de dormir, sociedade essa que não perdia um domingo no culto ou na missa, sociedade essa que trouxe a palavra de deus para suas leis, sociedade essa que nunca amou e nunca amará seu semelhante. Mas a Ruby não desistiu, a Ruby carregou no peito a mesma coragem da Rosa Parks e de Elizabeth Eckford, mas diferente um pouco das outras, a Ruby era apenas uma criança e contra ela vieram os gritos de macaca, bruxa, filha do diabo e outros do mais puro ódio disferido contra uma criança, saído da boca de cristãos que diziam amar a deus e ao país, assim a vida continua, pois entre a bíblia e a sociedade, existe muito ódio no coração das pessoas.

Foto: Ruby Bridges