A vida que passa

A chuva cai um pouco forte, e os carros estão passando devagar. Lá fora um corpo espera sua vez, a sua vez caro corpo vai chegar. É uma moça motociclista, é uma garota cujo o tempo não vai voltar. E todos vão colocando seus olhos e os seus rostos sobre as janelas, querendo ver o corpo no chão, talvez por curiosidade esperando não ser um conhecido, talvez para se chocar com a cena de horror que vai manchando todo o chão de sangue e de vísceras pelo o asfalto.

E o trânsito está muito lento, quem está distante quer chegar para ver o que é! Alguns olham com um ar perplexo, tão jovem dizia ela, tão bela dizia ele, e o estresse vai dando um bom dia aos motoristas que vivem pelo o asfalto. – Motocicleta nunca quis para mim e nem para os meus filhos – diz a mãe vendo a moça estendida no chão.

E todos querem chegar ao trabalho, tiram fotos e mandam mensagens como um furo de reportagem para amigos e toda a família, o senso da humanidade às vezes é mais selvagem do que os próprios animais, e o corpo da moça espera sua vez de ir para o necrotério.

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