O amor nômade

Cansada de não amar mais e de não ter um sentido real pela vida, ela se segurou pelos cantos para não derramar o último pranto das recordações que lhe prendia. Perguntou para si – por que amamos tanto, e por que de uma hora para outra o amor vai embora? – não obteve a razão da resposta, quis sentir deus, pois para os outros que estavam a sua volta, deus era a razão de tudo, porque para eles se não existisse deus a vida não teria mais sentido, viu que a vida não era isso, o sofrimento é tão presente na vida do ser humano como o ar que ele respira, e perguntou ao vento procurando obter de deus o sentido para todo o seu sofrimento, sentou, respirou, e viu que por mais que gritasse deus em toda sua grandeza jamais iria conversar com ela, e ela apenas se consolou, pois sabe que nesse imenso mundo não é a única que sofre. O amor em algum sentido da vida é nômade, aquele real amor que nos despertou nas poucas primaveras de nossa vida já não é mesmo, e já também não pode ser o mesmo, nunca saberemos qual o verdadeiro sentido da gente gostar de alguém, essa pergunta atravessou milênios e continuará a atravessar, pois o amor não edifica construções e se estabelece em determinado lugar, o amor na história da humanidade e em algum dia será sempre nômade.

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