Irmão Trovão

Quando decidiu abandonar seu passado, e se entregar de corpo para uma nova vida, que assim dizia ser fruto de uma dádiva, irmão Trovão deixou a família e o apego que nós simples seres humanos temos aos bens materiais. Não sei o seu verdadeiro nome, nem ao menos o que o levou ao certo a se aventurar pelo o Nordeste do Brasil pregando o evangelho de Jesus Cristo, o judeu adorado na Europa cristã e admirado como profeta pelos os muçulmanos. Do Irmão Trovão, observei seu caminhar de forma simples pelas praias da Baía da Traição, terra dos índios potiguaras que há séculos resistem as mudanças que a vida os impõe, irmão Trovão dizem que segue as doutrinas de São Francisco de Assis, que nos tempos de adolescência também tinha os mesmos modos de vida, regada por aventuras e irrequieta aos padrões conservadores de nossa sociedade. Trovão mantém a mesma tradição dos religiosos jesuítas que aportaram por essas terras para catequizar os nativos, e ao seu ponto de vista lhes proporcionar a vida eterna. Trovão possui uma ideia que hoje em dia não é mais adotada entre os jovens do Brasil mais moderno, muitos o classificariam como louco, já que não é frade ordenado pela Igreja católica, apenas um missionário que deseja evangelizar e conquistar almas para Cristo, sua razão de viver e caminhar aqui na terra. Trovão que em Tupi seria “Tupã” se aproxima da cultura Potiguara de forma indireta, apesar que os atuais Potiguaras da Baía da Traição, Marcação, Rio Tinto e Mataraca já estão de certo modo civilizados, e apenas cultuam os deuses ameríndios de forma indireta, a verdadeira religião praticada na localidade é a mesma que veio através das naus portuguesas e imposta a ferro e fogo pelo fio da espada. Os índios ainda resistem através da manutenção e da proteção dada pelas leis brasileiras, e atrai pessoas como o irmão Trovão, que acreditam salvar vidas através de sua fé cristã, a mesma da Companhia de Jesus, que veio da Europa junto com os portugueses interessados nas riquesas do mundo novo escondida nas matas e no subsolo, transformando os nativos que viviam de forma anarquista ou socialista aos olhos dos antropólogos e sociólogos, em verdadeiros capitalistas sedentos pelo vil metal.

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