Na bela cidade de nome São Petersburgo, nasceu Mitcha, a garota mais bela de toda essa localidade. Mitcha era a mais velha das várias crianças que habitavam a mesma casa no subúrbio da cidade. Ela sonhava com o mundo, e leu todos os clássicos da literatura russa, Dostoiévski e Leon Tolstoi, mas Mitcha era muito letrada na língua russa, e vez ou outra zombava de Pavel, seu amigo de Moscou que vez ou outra ia para São Petersburgo passar as férias e apreciar o Báltico congelado para os navios e os barcos dos pescadores e comerciantes, sempre ansiosos por mais dinheiro. Mitcha vez outra levava uma apanhava de sua mãe, por sair sozinha pelas imensas e sombrias ruas da cidade, Pavel, não era rico, mas tinha um sonho de sair da Rússia e estudar Direito na Alemanha, em Berlim uma das cidades mais importantes de toda a Europa, ele nutria um sentimento por Mitcha e demonstrava tudo por cartas, mas Mitcha era rebelde e não suportava viver sob o mesmo teto de um macho capacho como assim definia todos os homens, o inverno deixava vítimas a cada ano que chegava, o Czar Nicolau II já não tinha mais o controle do Império Russo, e uma grande frente vermelha se aproximava de locomotiva trazendo Lênin, Stálin e Trotsky. Mitcha queria apenas viver bem com sua família que ela tanto amava, Pavel, não se apegava a nada, talvez a solidão seja uma das marcas que sempre o deixou forte, e assim ele foi para Berlim, a guerra já tomava conta de toda Europa e se aproximava do fim, os tempos de monarquia chegava ao fim também na velha Rússia dos Czares, e Mitcha a moça humilde e rebelde, entrou para as fileiras do Exército Vermelho, acreditando que a partir daí poderia mudar a vida da família e dos pobres que sempre via por todas as ruas dos subúrbios da antiga São Petersburgo, agora nascida Petrogrado.

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